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A RUA CHILE VAI À "LISTA DE SCHINDLER" PARA LOCALIZAR SEUS DESAPARECIDOS
Seguindo o Conselho do escritor Carlos Heitor Cony, determinada noite resolvi enfrentar o meu humilde arquivo espremido entre o fogão de dona Neide e a despensa para selecionar algo de substancial e que fosse útil ao momento atual. Pelo amarelado das folhas já ia rasgando tudo e jogando no lixo, quando uma delas cai no chão.
Tratava-se de um velhíssimo jornal, dobrado em dois lados, no qual encontrei algo denominado como sendo a "Folha do Povo", jornal político dirigido por Sandoval Wanderley.
Nesse jornal encontrei anúncios de empresas que simplesmente desapareceram como sucubiram os 6 milhões de judeus mortos nos campos de concentrações nazistas.
O velho jornal trazia um anúncio de publicidade negativa revelando uma velha briga do Sr. Sandoval diretor do jornal com a família de Tobias Palatinick, tradiconal família judia que dirigia uma fábrica de mosaicos, na Rua Chile. O anúncio dizia: "O Mosaico dos Palatinick racha e mancha. Quereis pôr vosso dinheiro fora, comprai-o".
Deixando as divergências de lado, comecei a meditar sobre as empresas que existiam na Rua Chile e que desapareceram. A Rua Chile, antigamente chamada de Rua do Comércio, era a de maior movimento da velha cidade baixa. Hoje, restam nas paredes dos prédios apenas os números que identificavam as antigas empresas desaparecidas.
No número 217, por exemplo, achava-se a firma João Galvão e Cia, de tradição na Praça, se dedicava ao ramo de tecidos. No número 216 funcionou a empresa S.A Wharton Pedrosa que atuava na exportação de algodão. No 173, funcionou a firma Loureiro Barbosa e Cia, filial de Recife. Outra empresa pernambucana foi para o número 169, chamada de Alves de Brito e Cia.
De fora do país veio a firma Julius Von Shosten e Cia, de procedência inglesa para o número 164. Depois vem o 133, onde funcionava a "Dispensa Natalense", que durante muitos anos alimentava quase todos os moradores da Ribeira. Na esquina, onde hoje funciona a Ecocil, funcionava o Hotel Internacional. Aqui, certo período, ficou hospedada a caravana de Batista Luzardo. Contam os sobreviventes que em 1930, Batista Luzardo promoveu grande comício de uma das janelas desse hotel, provocando um tiroteio jamais vista na cidade, gerando como saldo três mortes.
É bem provável que Batista Luzardo não foi o responsável pelo desaparecimento dessas empresas, porém fica uma pergunta no ar. Para onde foram estas firmas tão tradicionais no mercado potiguar?
"Há alguns anos atrás, eu estive com o diretor Spielberg durante as filmagens da "Lista de Schindler" e perguntei, com todo respeito que tenho pelo povo judeu, seu tais nomes e números não estaria em seu roteiro. Spielberg consultou, leu, releu e disse: "- Amigo seu caso é para Anistia Internacional. Fale com o Sting...ele vai resolver".
Reflexões Ribeirinhas
Não devemos olhar para a Ribeira assim como o escritor americano Hemingway olhou para Key West, no seu livro "Ter ou não Ter", editado em 1937 ano duro para o povo americano. História aquela ambientada em um lugarejo miserável, uma zona portuária, freqüentada por pescadores, vagabundos e marginais personagens que viram o sonho americano transformar-se em pesadelo. Mal sabia o escritor americano que este lugar esbanjava mesmo assim poesia.
O INDICADOR DA AGÊNCIA PERNAMBUCANA
Não somente de carnavais e blocos carnavalescos vivia a Avenida Tavares de Lira no bairro da Ribeira. Existiu, por exemplo, o Indicador da Agência Pernambuca e seu serviço de auto-falantes dirigido por Luís Romão. A primeira tentativa de se realizar o audio-difusão na cidade do Natal.
O serviço funciona no prédio de número 48, em uma pequena sala com primeiro andar. No térreo havia a venda dos jornais principalmente vindos do Recife. "Jornal do Comércio", "Diário de Pernambuco" e a "Província" faziam muitos leitores no capital potiguar. O negócio pertencia também a Luis Romão e era gerenciado por João Nicodemos de Lima, enquanto o proprietário desenvolvia a função de gazeteiro nos trens da antiga "Great Western", viajando entre os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, diariamente.
Já serviço de auto-falantes, organizado em 1938, com ramificações em 22 bocas de ferro distribuídos entre as Rocas, Cidade Alta, Ribeira e Alecrim levava as principais notícias do dia ao povo natalense. O indicador ainda tocava músicas, enviava notícias amorosas e divulgava anúncios do comércio local, além de executar músicas. Ao entardecer, as notícias da guerra eram transmitida, via conexão, pela BBC de Londres.
Certamente naquele dia primeiro de setembro de 1938, o povo potiguar ouviu uma voz em português falando diretamente de Londres. Aliás, estava ali o primeiro noticiário em língua portuguesa da emissora BBC. O noticiário falava sobre o surgimento da Segunda Guerra Mundial, divulgado pelo jornalista, escritor e músico Manoel Braulen.
A cidade ouviu também o discurso combativo ao nazismo feito por Winston Leonard Spencer Churchill líder inglês, bem como do general francês Charlles André Joseph Marie de Graulle, que através da BBC lançou o movimento "França Livre" contra a fúria de Adolf Hitler.
O Indicador da Agência Pernambucana" transmitia ainda os reclames da população, os diários oficiais do Estado e do Município. Moças e rapazes namoravam na época ao som dos auto-falantes de Romão. Existia também um programa de auditório onde até oficial americano chegou a cantar durante a Segunda Grande Guerra.
Tudo isso proporcionou o Sr. Luiz Romão paraibano de Santa Rita aos natalenses. Ele ganhou a vida com poesia e ensinou a esse povo a ler e a ouvir. Certamente ele é mais uma grande história desse lugar chamado de Ribeira.
Anônimas da Ribeira
Emburrecimento O Emburrecimento é o elixir da felicidade.
Evolução A evolução não se dá com salto triplo; mas com salto à distância.
Leões Se leões formassem a platéia do circo, os domadores seriam longamente vaiados.
Rei Em terra de reis, coroa é chapéu.
Quintana O que se há de fazer com um país onde mãe é nome feio e poeta é apelido.
Piaba Infeliz da terra onde Piaba é chamado de peixe.
A PARÓQUIA DO BOM JESUS DAS DORES
Desde os jesuítas Gaspar de Sampérts, Francisco Lemos e Frei Bernadinho das Neves muito a religião Católica tem realizado por esta terra. Esse trabalho inicialmente missionário da civilização cristã visava nas suas raízes lançar a semente da Boa Nova a comunidade nascente entre indígenas e colonos.
Na arquitetura religiosa do RN podemos dizer que nossas casas de orações refletiam bem o estado material e espiritual de nossos colonizadores. Devemos considerar também que tais arquiteturas foram edificadas para os que necessitavam de recolhimento à oração, cuja tendência era não complicá-las em sua estrutura.
A primeira igreja em Natal foi erguida no início do século XVII, no ano de 1619. A antiga Catedral igreja matriz não lembra sequer aquela singela capelinha de taipa, coberta de palha que promoveu os primeiros encontros com Deus em Natal.
Depois veio a Igreja do Rosário, datada de 1714. Ainda no Centro, vamos encontrar a Igreja de Santo Antônio com sua frontaria inspirada no barroco. Um belo exemplar da arquitetura religiosa dos tempos coloniais.
Nove anos depois da construção da Igreja de Santo Antônio, é edificada em Natal a Igreja do Bom Jesus das Dores, em 1774. Ele foi também sede da capelania militar do Exército. No governo de Dom Joaquim de Almeida a capela passou para os padres franciscanos e em 1913 foi dirigida pelos padres da Santa e Sagrada Família.
Não possuía suas duas torres como hoje, e sim um local estabelecido para a construção de uma só torre. Tinha uma fachada barroca, com belíssimo frontispício, quase semelhante ao da Igreja de Santo Antônio.
Tornou-se matriz do Bom Jesus das Dores com a criação da paróquia do mesmo nome, por decreto de Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, na data de 9 de janeiro de 1932.
A igreja abriga algumas das esculturas sacras antigas do município e sua festa maior é promovida no mês de setembro, entre os dias 15 e 18.
Frase
"O reconhecimento da identidade está na descoberta de um ponto cego nossos próprios Olhos"
Personagem
Júlio César de Andrade
Ele foi certamente um dos maiores guerreiros da Ribeira. Júlio César de Andrade nasceu pernambucano em 12 de maio de 1905.
Em sua lista de serviços prestados a esse bairro e a cidade estão inúmeras contribuições. Foi sócio fundador da Caixa Rural Operária de Natal; Membbro do Comitê da Cruz Vermelha durante a Segunda Grande e ocupou por dois anos a presidência do Clube Carnerinho de Ouro, na Ribeira.
Foi também responsável pela construção de todos os quartéis de emergência para o alojamento das tropas federais que se deslocaram para Natal, durante os anos de guerra.
Como empresário foi sócio de várias firmas. Entre elas estavam a Cia Potiguar, a Indústria de Criação Ltda, a J. Andrade e Cia e a César Comércio e Representações, que levavam o seu nome.
Em reconhecimento à sua luta em prol da cidade do Natal, Júlio César de Andrade recebeu vários títulos. Entre eles estão o "Título Honorífico de Cidadão Natalense" conferido pela Câmara Municipal, em 9 de maio de 1985, e o "Cartão de Prata" do Sindicato do Comércio Varejista do RN.
Como escritor, imortalizou o bairro da Ribeira no seu livro "Comerciantes e Firmas da Ribeira (1924 1989) Reminiscências". Faleceu em março de 1994.
Reflexão Ribeirnha
Em função de nossa miopia, deixamos no passado uma região que constitui um dos momentos de maior desenvolvimento de nossa cidade e de nossa história. Os sábios sabem que mesmo no meio do deserto é importante tentar descobrir as maravilhas enterradas em suas areais.
E nessa ótica, é preciso não somente procurar a sabedoria nos livros, mas também na própria vida, no próprio ser humano e seu lugar. Nossa Ribeira é tão útil para a continuação do desenvolvimento de Natal assim como o pão, a água e a própria sabedoria é para o corpo.
Edificação
A Delegacia Fiscal
Localizada entre a Avenida Duque de Caxias e a Rua Esplanada Silva Jardim, a Delegacia Fiscal do RN foi criada pelo antigo decreto de número 2.807, do dia 31 de fevereiro de 1898. É uma delegação do Tesouro Nacional e veio substituir as antigas tesourarias da Fazenda existentes no tempo do Império, tendo como função a arrecadação das rendas federais.
O seu primeiro delegado chamou-se Emygdio Pinheiro da Câmara e o órgão teve primeira sede no edifício onde funciona hoje o Memorial Câmara Cascudo. Foi, entretanto, em 1955 que ele passou a funcionar na Ribeira, no atual endereço.
A execução do projeto do prédio da Delegacia Fiscal foi iniciada em setembro de 1949, na administração do delegado Manoel Ferreira Borges, pela empresa de Construção Civil Ltda. As obras foram concluídas em julho de 1955, já na administração de Jurandir Sítaro da Costa.
A cerimônia de inauguração foi dirigida pelo Dr. Mário Câmara, representante do presidente da República na época o potiguar João Café Filho. A benção da edificação foi realizada pelo Bispo Auxiliar de Natal Dom Eugênio de Araújo Sales, ocorrida no Salão Nobre do Edifício.
O prédio possui um expressivo valor arquitetônico. Apresenta uma fachada chanfrada, cuja frente e laterais assumem um único bloco implantando no alinhamento da Avenida. A estrutura tem três pavimentos, possuindo cobertura arrematada por platibanda e uma única marquise, que contorna toda parte superior do edifício.
Na entrada é visto um hall de onde partem a escadaria, o elevador e as diversas dependências da Delegacia Fiscal. Na entrada do prédio é visto logo abaixo da marquise o "Brasão da República" e nas laterais inscrições que identificam o órgão federal. É um belo exemplar da arquitetura ribeirinha.
Anônimas da Ribeira
Pecado Pode ser um pecado pensar mal dos outros, mas raramente será um engano.
Palavras Palavras e pedradas soltas não voltam jamais.
Capital Sem dinheiro, a honra não passa de doença.
Erro O homem foi o único erro na criação extraordinária de Deus.
Mulher Para quem tem mulher feia, feriado é castigo.
Economia Os economistas vivem e prosperam com os seus erros no Brasil.
Memória
A Farmácia Santa Cruz e o Dr. José Pedro Bezerra
A Farmácia Santa Cruz ficava localizada na Rua Dr. Barata onde funciona hoje o escritório do Tradutor Oficial do Estado. Deste prédio saiu o nome oficial do "Hospital Santa Catarina", denominado de "Dr. Pedro Bezerra.
José Pedro Bezerra era irmão de Theodórico Bezerra, dono do antigo Grande Hotel, no bairro da Ribeira. Foi chefe da Divisão do Serviço de Malária do Nordeste, uma das maiores campanhas já realizadas pela Saúde Pública Brasileira, visando combater o "Anopheles Gambiae", em 1938.
Ele também respondeu pela pasta de Secretário de Estado da Saúde/RN em 1975. Recebeu, um ano antes, o "Diploma de Mérito Funcional" conferido pelo governador do Estado.
Pelos inestimáveis serviços prestados ao conceito da classe médica no RN, ele recebeu o "Diploma de Honra ao Médico" transmitido pela Sociedade de Medicina e Cirurgia potiguar.
Dr. Pedro Bezerra ainda usou seu influente inglês para traduzir o cardápio do restaurante do Grande Hotel para as forças estrangeiras aliadas, durante a Segunda Grande Guerra.
Frase
"Em terra de careca, quem tem cabelo não está com nada".
Confraria
Clube Carneirinho de Ouro
Tradicional, o Clube Carneirinho de Ouro foi fundado dia 8 de agosto de 1936, na Av. Tavares de Lira, 54 1Ί Andar. Nasceu com o objetivo de reunir comerciantes da cidade e manter um clube de futebol.
Além dos comerciantes o clube começou a atrair profissionais de áreas distintas. Advogados, jornalistas, engenheiros, médicos, juízes e desembargadores começaram a ser admitidos como membros. Todos, homens bem conceituados da sociedade potiguar.
O grupo chegou a possuir um grande time de futebol. Sendo todos os seus jogadores membros da própria casa. Esse selecionado ribeirinho sempre esteve em campo disputando resultados com os clubes locais. Nomes como o do ex-prefeito Djalma Maranhão, chi-Chico e Cabo João ilustravam o plantel do Carneirinho de Ouro.
Durante os jogos, que sempre acomtencia no "Campo da Área" hoje estádio Juvenal Lamartine, levavam com o selecionado um carneirinho de verdade para entrar em campo como mascote.
Atualmente, o Clube Carneirinho de Ouro resiste e continua a lutar em favor da revitalização da Ribeira. Todos os seus membros são apaixonados pelo antigo bairro. A casa vem oferecendo aos seus confrades e membros serviço de bar, jogos de gamão, dominó, bilhar e sinuca.
Breve Reflexão
Felizes são os homens que usam a razão em seus atos; deles nascerão a justiça, o respeito, a defesa do próximo e a igualdade entre os povos da Terra".
Casa de Pensão
O último hotel da Ribeira
O Hotel Central, na Rua Câmara Cascudo, é hoje a última das tradicionais casa de hospedes que tínhamos no bairro da Ribeira.O último hotel do período de ouro da antiga Cidade Baixa. Foram seus contemporâneos o Grande Hotel e o Hotel Internacional, todos dois já fechados.
No seu corredor que dá acesso a recepção pode-se ainda viajar no tempo. Uma geladeira de 1945, um relógio de parede suíço e um telefone preto de 1942 dão o clima do que era a Ribeira em seus tempos mais distantes.
Na parede do estabelecimento encontramos a frase: "- Atenção. Fineza fazer silêncio depois das 22h". O autor dessa advertência chamar-se Geraldo de Sá Bezerra proprietário do Hotel Central.
Ele foi testemunha do desaparecimento de noves hotéis de tradição na Ribeira. Nos conta que a retirada da Rodoviária para a Cidade da Esperança foi um golpe fatal para o antigo bairro e seus comerciantes.
O hotel de seu Geraldo era conhecido como "Hotel dos Viajantes", que por ironia do destino foi a primeira profissão dele. Entre seus hospedes mais ilustrem esteve o também hoteleiro mossoroense Antônio Amaral, antigo proprietário do Grande Hotel de Mossoró/RN, já falecido.
Geraldo de Sá nos deixa com os pequenos versos que falam de seu amor por este bairro tão envolvente. "Se eu tivesse poderes, ordenaria que cantassem e tocassem todas as cirandas e ladainhas em louvor da Ribeira. Essa nobre senhora que vive de saudades a cada dia e recordações a cada noite".
Intervalo
Viagem
Um país inteiro esquecido na antiga Estação Rodoviária Presidente Kennedy
Nada como conhecer outros lugares, outros povos, outras cidades desse belo país chamado de Brasil. É preciso, entretanto, viajar de ônibus. Pois no avião só nuvens e no navio só mar.
A Estação Rodoviária Presidente Kennedy durante muitos anos proporcionou tudo isso. Foi inaugurada ali de frente para o Teatro Alberto Maranhão, na Praça Augusto Severo em 15 de dezembro de 1963, pelo saudoso prefeito Djalma Maranhão. Um homem a frente de seu tempo que certamente lia Euclides da Cunha e praticava Guimarães Rosa.
A execução da obra foi supervisionada pelos engenheiros Wilson Miranda e Ary Cunha Lima. O projeto é de autoria de Raimundo Gomes e foi implantado pelo mestre Abel Florentino.
E o que havia de melhor naquele momento em que o locutor da Central anunciava: "- Atenção senhores passageiros que se destinam as cidades de Mossoró, Umarizal, Santo Antônio do Salto da Onça e Barcelona...Ocupem os seus lugares e boa viagem. Em Natal são 9 horas".
Era simplesmente fantástico como extraordinário era o locutor Tintino Nunes de Oliveira. Poderia ter sido um Plácido Domingos ou um Luciano Pavarotti cantando músicas de Noel Rosa ou João de Barros. O fato que este locutor era um verdadeiro artista.
Hoje lamentavelmente transferiram a função da Rodoviária para o bairro de Cidade de Cidade da Esperança. Restando na antiga edificação um pequeno comércio e um terminal de ônibus inter-bairros. Restando naquel local apenas um verdadeiro país esquecido na Praça Augusto Severo.
Relfexão Ribeirinha
Não podemos deixar nosso passado entregue aos cupins, as goteiras, as ruínas e as ameaças de deslizamentos. É preciso saber que sem os nossos ontens não iremos a lugar nenhum. Nossos ontens são como tijolos com os quais construímos nosso presente e futuro.
Heroísmo
A maior realização do remo internacional nasceu na Ribeira
"Para viver um grande amor...Não basta apenas ser um bom sujeito. Tem que Ter peito. Peito de remador"- já dizia o poetinha Vinícius de Moraes, verdadeiro diplomata do samba e da poesia brasileira.
E peito de remador não faltou aos atletas do remo no Sport Clube Natal na Rua Chile, 70. Em 30 de março de 1952, os atletas Ricardo Cruz, Antônio Duarte, Oscar Simões, Clodoaldo Becker e Francisco Madureira foram os grandes heróis locais que iniciaram o Raid em Iole Natal/Rio de Janeiro.
Uma aventura sem precedentes na história náutica de todos os tempos. A pequena embarcação movida a quatro remos foi batizada com o nome de "Rio Grande do Norte".
Na manhã da partida, após missa na Capela do Colégio Salesiano, os heróis do remo receberam a benção e tiveram como madrinha a senhora Ivone Cavalcanti Reis, esposa do desportistas José Reis. Poetas e escritores também prestaram homenagens. Othoniel Menezes criou o soneto "Ricardo Cruz"e João Amorim Guimarães fez uma saudação em versos.
"Os Lobos do Mar", como foram chamados, receberam inúmeras recepções ao longo de toda Costa brasileira. Foi, entretanto, em Mangue seco, no dia 2 de junho de 1952, que a Iole foi invadida pelas águas e acabou naufragando.
Nossos heróis sobreviveram e meses depois retomariam a missão. em 19 de fevereiro de 1953 partem com a Iole "Rio Grande do Norte II", com uma pequena alteração na tripulação. Os atletas Clodoaldo Becker e Francisco Madureira foram substituídos por Luís Enéas e Walter Fernandes.
No dia 21 de maio de 1953, às 10h45, a Iole "Rio Grande do Norte II"atracava no Cais da Marinha Rio de Janeiro. Foram recepcionados pelo vice-presidente da república Café Filho e o prefeito carioca Francisco Benjamim. A BBC de Londres noticiou a jornada como o "maior feito náutico do mundo".
"Em terra de malandro, inocente tá perdido".
"A poesia é como pescaria, nem sempre o peixe está disposto a morder a isca.
Personagem
José Cândido de Andrade
Natural de Parelhas/RN, José Cândido de Andrade começou a trabalhar na função de marceneiro oficialmente no bairro da Ribeira, no distante ano de 1947.
Cândido herdou no sangue a paixão pelo ofício. Seu pai Antônio C6andido de Andrade também mexia com o mesmo ofício.
Seu imóvel comercial funciona na Rua Frei Miguelinho, 87. O estabelecimento é denominado de "Lintex Fábrica de Móveis".
Com mais de 80 anos, seu Cândido continua na mesma atividade, criando verdadeiras jóias da marcenaria, que vão desde barzinhos, mesas e móveis rústicos. Além de escrivaninhas e pequenos objetos de arte confeccionados para decoração.
O grupo é mantido também por seus filhos Waldenilson e Wagner. Juntos eles fazem de tudo e ainda encontram um tempinho para jogar futebol nas horas vagas. Outra paixão da família.
Reflexões Ribeirinhas
Não é necessariamente preciso ser poeta, escritor ou compositor para identificar no final da Av. Tavares de Lyra, no Cais e defronte ao rio Potengy, um dos locais mais extraordinários da Ribeira. O seu Pôr do Sol.
Cultura
O Teatro Alberto Maranhão
A história do Teatro Alberto Maranhão, antigo Teatro Carlos Gomes, se mistura com a própria evolução do teatro potiguar, num esforço de emancipação da cidade.
Em Natal, o teatro existe sobretudo de forma não empresarial. Uma história que começa com o governador Joaquim Ferreira Chaves, "Padrinho de Vela" do historiador Câmara Cascudo. Foi ele que autorizou o início da construção no ano de 1898. A obra, porém, ficaria pronta em 24 de março de 1904, na gestão do governador Alberto Maranhão, na fase cruel de seca para o povo do sertão potiguar.
Antes mesmo da canção do grupo Titâs, Alberto Maranhão sabia que o "o povo não precisava só de comida e bebida". Fazia-se necessário a arte. E foi nesta quinta-feira, do dia 24, que o povo recebeu um de seus presentes mais nobres o Teatro Carlos Gomes.
No primeiro espetáculo foram executados o Hino Nacional do Brasil e a "Simphonia do Guarany", de Carlos Gomes sob a direção do maestro Luigi Maria Smido e do professor Joaquim Sipião primeiro diretor do Teatro.
A grande noite foi fechada com "chave de ouro" com o "Largo Al Factotun", da Opera "Barbeiro de Servilha" de Rosini e o acompanhamento do barítono Gomeleti a pedido do público.
O Teatro, hoje denominado de Alberto Maranhão, é sem dúvida um bonito prédio que conserva em si traços da arquitetura francesa do final do século XIX. Além dos espetáculos teatrais, a casa ainda foi palco de exibição dos primeiros filmes na cidade. No dia 24 de novembro de 1906, Moura Quineau fotógrafo conhecido do Ceará, exibiu o filme "Album Maravilhoso". A casa ficou lotada. Hoje a edificação é tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do RN.