A Ribeira 
Voce esta na edicao 2    


Personagem

 

LAÉRCIO VASCONCELOS
DE INGÁ DO BACAMARTE À ALTA COSTURA

 

A profissão de alfaiate talvez seja a mais antiga do mundo. Nasceu em Gênesis, quando Adão cobriu sua pele e a de Eva com folhas.
Aqui na Ribeira, na Avenida Tavares de Lira – 74, veio trabalhar no ofício o paraibano Laércio Vasconcelos, proveniente da cidade de Ingá do Bacamarte, próximo ao município de Campina Grande.
Chegou no tempo da II Guerra Mundial, após convite do irmão Oswaldo Barbosa de Vasconcelos – que dominava o inglês e tinha também uma alfaiataria na Rua Chile, no ano de 1944.
Laércio, contudo, não era marinheiro de primeira viagem no ofício. Começou na atividade com 11 anos de idade.
Com a fixação e o sucesso adquirido na profissão, o alfaiate produziu e vestiu inúmeras pessoas. Colunistas, jornalistas, juizes, médicos e até políticos.
Um de seus clientes foi o coronel João Medeiros, grande personagem do nosso comércio e chefe político de Jardim do Seridó. Foi com a influência deste que Laércio resolveu um dia se candidatar para o posto de vereador na cidade do Natal. Foi muito bem votado, tendo inclusive número superior ao necessário para se eleger. Acontceu, entretanto, que 80% dos votos sairam com o nome Laércio Vilaça – nome da alfaiataria. O registro no T.R.E. era Laércio Vasconcelos. Resultando no final a anulação dos mesmos.
Apaixonado por brigas de galo, ele chegou a organizar um "galódromo – rinha ou rebolo" na Rua Segundo Wanderley, por trás do Colégio Nossa Senhora das Neves. Morreu em março de 1997.
Sua obra permanece nos inúmeros ternos que levam sua assinatura na cidade. É bem provável que nem a Itália de Gucci e a França de Pierre Cardin possuíram alfaiate a sua altura.

 

Frase

"Conversa Fiada"fechou o Café Cova da Onça, na Ribeira."

 

Instituição
 
Capitania das Artes
 
Localizada na Av. Câmara Cascudo, a Capitania das Artes é a catedral da cultura na cidade do Natal.
O imóvel restaurado há alguns anos foi sede do governo do Estado. Depois virou Escola de Aprendizes de Marinheiros e logo em seguida funcionou como Capitania dos Portos.
Da construção original de José Coelho só restou o frontão néo-clássico do século passado, que com o tempo foi alterado internamente através da leveza do traço do arquiteto João Maurício Miranda.
Em 27 de setembro de 1994, o Executivo Municipal sancionou a lei 4.565/94, que dá autonomia administrativa a Capitania das Artes, transformando ela em um órgão que gerencia a criação cultural na cidade do Natal.
A Capitania das Artes tem como objetivo pesquisar, promover, preservar e divulgar o patrimônio cultural da cidade. A criação deste órgão foi uma antiga luta da jornalista Rejane Cardoso. O espaço hoje é aberto a todos os artistas do Brasil – principal da terra potiguar.

 

Intervalo
 
"A vida é como um fio de navalha. Cedo ou tarde as pessoas escorregam e se cortam."

 

BOEMIA
 
O PORTUGUÊS OLÍVIO E A CONFEITARIA DELÍCIA

 

O português Olívio veio ao mundo em 30 de julho de 1907, na pequena cidade de "Vila Nova de Gaia". Conheceu Natal em 1921, acompanhado de sua mãe e irmã. Chegou a convite de seu irmão Joaquim que já residia em Natal e vivia no ramo de sorvetes.
Teve a felicidade de começar a trabalhar com um dos homens mais ricos da cidade, naquela época, o comerciante Manoel Machado.
Depois de vinte anos trabalhando para Manoel Machado, o português Olívio adquiriu em 1942, em sociedade com Sinval Duarte Pereira, a "Confeitaria Delícia", um dos pontos mais badalados da antiga boemia ribeirinha. Em 1948, Olívio assume o negócio sozinho.
A casa possuía um grande movimento. Vendia bonbons, frutas importadas, bebidas finas e até cestas de Natal. Roberto Freire, Clidenor Lima, Newton navarro, João Machado, Amaro Mesquita, Luís Tavares, Zé Areia, Alcides Cicco e Eider Reis freqüentavam o estabelecimento.
O artistas plástico Newton navarro, em 1967, ilustrou uma de suas mais importantes obras na parede da Confeitaria – trabalho que sobrevive até os dias atuais naquele antigo endereço. Sobre o lugar, o jornalista e escritor Alexandre Garcia publicou o livro "Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia". Um belo trabalho que narra a vida e os fatos dos principais personagens e acontecimentos vividos nos anos dourados na Ribeira.

 

Meditação

 

"O passado de um povo é sagrado. Não existe um grande país e uma grande raça sem sua história".

 

Crônica

 

Uma Noite Ribeirinha

 

Escrever poeticamente sobre a noite na Ribeira não é missão fácil. Poderíamos, por exemplo, falar da antiga rivalidade entre xarias e canguleiros, que mostrava as divergências que existiam entre os moradores do Centro e da Ribeira, respectivamente. Ambas tribos costumavam duelar no antigo "Beco do Tecido" – hoje Rua Juvino Barreto.
"Pau Tostado, Miolo de Atueira, Guíri e Canivete" tomavam a palavra entre safanões, murros e cortes que aconteciam durante as brigas. Com a chegada dos bondes, em 1908, veio também a paz entre eles.
Depois da paz, apareceu a poesia. Vieram os violões, as canções e a praça. Na Praça Augusto severo, 81, tínhamos a Confeitaria Delícia, freqüentada por intelectuais.
Na Tavares de Lira, entre os números 44 e 46, foi instalado o Café, Bar e Bilhar Cova da Onça, de propriedade do Sr. Anaximandro de Souza. Existiam também o Tabuleiro da Baiana, a Confeitaria Avenida e a peixada Potengi. Ainda na mesma avenida instalou-se a primeira sorveteria de Natal, no número76, administrada pelo Sr. Cantuária Barreto.
Uma outra opção era o cinema "Politheama" que funcionou durante muitos anos no número 252, da Praça Augusto Severo. O cinema era de propriedade de Américo Gentile e Alberto Leal. Na mesma praça temos até hoje o Teatro Alberto maranhão em plena atividade. Os bares "Blackout", B 52’S e o das "Bandeiras" vem fazendo a cabeça da moçada nos dias atuais, na Rua Chile.

 

Intervalo

 

"Em terra de selvagens, quem tem educação não está com nada meu..."

 

 

Personagem

 

Raimundo Cego

 

Raimundo Bevenuto de Souza nasceu no bairro das Rocas, em 20 de abril de 1919. Costumava dá expediente, no ramo das esmolas, pela manhã na calçada do banco do Brasil – Centro e pela tarde na calçada do Banco do Brasil – Ribeira.
E levou esse trabalho voltado para a remuneração da caridade alheia mais de trinta anos. Dizia o personagem que conhecia os colegas de trabalho pela voz e as mulheres pelo cheiro.
Simpático com os funcionários do BB, ele tinha seu aniversário festejado anualmente pelo os amigos na AABB, na sala dos funcionários aposentados do Banco do Brasil, com direito a cerveja e muito bolo. Tudo organizado pela diretoria do clube.
Mais não somente de esmolas viveu Raimundo. Em 1936, ele fundou um conjunto musical composto só por amigos cegos e juntos percorreram parte dos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. O prefeito Djalma Maranhão foi um dos grandes incentivadores do grupo. Ele tocava gaita de boca e bateria.
O grupo ainda era formado por Vicente (vocal e triângulo), Zé lopes ( sanfona ), Chico (violão) e Zé Preto ( pandeiro ). O primeiro e talvez único conjunto no gênero em todo RN. Dizia Raimundo que o grupo só não tocava em cabaré. "Cabaré só dá confusão e cego não vê muito bem a porta de saída", dizia a ele.

 

Breve Reflexão
 
Se nada for feito, a Ribeira deverá ser visitada pelo mesmo motivo que deve levar alguns neoliberais a conhecer o socialismo cubano. Ver antes que acabe, antes que morra e antes que caía no esquecimento. Nossos sobrados não estão apenas implorando um balde de tinta e um pincel. Muito necessitam ser reconstruídos.

 

Serviço Postal

 

Os Correios e a Filatelia

 

Em 1500, portanto há 499 anos, Pero Vaz Caminha inaugurava a primeira correspondência oficial do país. Bem antes, os índios já usavam a fumaça e o tambor para se comunicar a distância.

Depois de Caminha, o serviço postal brasileiro era prestado pelos Correios Portugueses. As embarcações traziam e levavam a correspondência. Os locais mais afastados eram atendidos por escravos, viajantes e tropeiros. Só em 1787 foi criada a Administração dos portos, Correios e diligências de Terra e Mar.

Com Dom Pedro II, os Correios ganharam grande impulso, mantendo-se na vanguarda dos serviços postais ao lançar o primeiro selo das Américas, o "Olho de Boi", no dia primeiro de agosto de 1842.

Em 1900 foi criada a primeira série comemorativa nacional, homenageando o quarto centenário do Descobrimento. Pela primeira vez, um simples recibo de taxa ao Correio começava a transmitir imagem, cultura e história de um país chamado de Brasil.

O escritor Monteiro Lobato, na sua obra "Sítio do Pica-Paú Amarelo", relata a importância desses selos. Seus personagens "Emília, Pedrinho e Narizinho" viajaram nas ilustrações dos selos e iam a outros universos através deles.

Em 1969, o Departamento de Correios e Telégrafos é transformado em Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Em 1977 é criada a primeira e única Agência Filatélica de Natal, no bairro da Ribeira, que tem como objetivo maior divulgar e intercambiar a filatelia no RN.

Para esse ano, 1999, o Governo Federal pretende transformar todo serviço postal brasileiro em Sociedade Anônima – será a privatização total do órgão.

 

Porto

 

O Cais 10 de Junho.

 

Não sei por que chamavam ele de Cais 10 de Junho. Só sei que é um lugar lajeado para embarque e desembarque de passageiros e cargas, na margem esquerda do Rio Potengi sentido oceano/terra.
Atualmente é chamado de Cais Tavares de Lira – ilustre escritor e jurista potiguar, que nasceu na cidade de macaíba no distante ano de 1872.
Em 1994 o cais foi recuperado pelo executivo municipal, sendo reativado como local de embarque e desembarque de passageiros, que realizam a famosa travessia Ribeira/Redinha. O serviço é mantido pela empresa Maré Baixa, de propriedade do argentino Samuel, que transformando a viagem em mais uma opção de lazer e entretenimento no município de Natal.

 

Anônimas da Ribeira

 

Mentiras – Existem certas verdades em algumas mentiras.

MisériaA miséria não bate mais a nossa porta. Ela Invade.

Concerto – Afirmar uma coisa não significa negar outra.

Perdão – Quem perdoa, não procura culpados.

Poesia – A poesia é a única forma de sentimos realmente humanos.

Definição – Voc6e não pode provar uma definição. O que você pode é mostrar que ela faz sentido.
 

 

Educação

 

A Escola Doméstica de Natal

 

Foi na Europa que o professor Henrique Castriciano conheceu as escolas dirigidas somente para mulheres. Ele ficou muito impressionado com os estabelecimentos de ensino.
Através dessas observações e experiências nasceu a Escola Doméstica de Natal, primeiramente na Praça Augusto severo, 281, ao lado do Colégio Salesiano. Foi fundada em primeiro de setembro de 1914.
Castriciano trouxe da Europa a romaica Melle, acompanhada das suíças Helena Bondoc e Jeenne Negulesco. Eles tiveram a missão de organizar, planejar e implantar o primeiro currículo da escola, baseado nos moldes da Ecole Menagere de Fribourg, Cantão Suíço.
Em 1927, a professora Maria Emiliana da silva tornar-se a primeira potiguar dirigindo a instituição.
Atualmente, com mais de 80 anos de atividade e localizada no bairro do Tirol, a Escola Doméstica de Natal é responsável pela educação básica e secundária de médicas, advogadas, jornalista, dentistas, arquitetas, engenheiras e outras profissionais de diversas áreas que atuam na cidade e atuarão no futuro. Desde 1945, o estabelecimento de ensino exclusivo para mulheres é dirigido pela professora Noilde Ramalho.
 

Intervalo

 

"Em terra de maluco, gente normal está no hospício."

 

Personagem

 

José Nicanor do Nascimento – "Coquinho"

 

Junto com Meira Pires, certamente José Nicanor do Nascimento será lembrado quando o assunto for o Teatro Alberto Maranhão. Ex-morador do Morro de Mãe Luiza, Coquinho viveu para as luzes da Ribalta.
"- Eu comecei a trabalhar ainda menino por aqui..."
No TAM ele foi servente, mensageiro, eletricista, porteiro, arrumador de cenários, entre outros serviços como acompanhar os artistas pela cidade.
"- Quando terminava o espetáculo, eu saia com os artistas para beber."
Ele atravessou toda uma geração de diretores extraordinários do TAM. Alcides Cicco, Milton Varela, Sandowal Wanderley, Meira Pires, Dorian Gray e Iaperi Araújo foram alguns dos seus chefes.
A casa lhe deu a possibilidade de conhecer também grandes nomes do teatro nacional. Ele chegou a tomar cachaça com Procópio Ferreira e acompanhou Vicente Celestino, Francisco Alves e Carmem Costa pela boemia ribeirinha.
Viu brigas, desmaios e até lavou o sangue derramado por um integrante da Companhia Palmerim Silva que morreu em cena, durante espetáculo no teatro.
José Nicanor, Coquinho, morreu simples, porém de uma vida digna e cheia de histórias para contar.

 

Patrimônio

 

A ALFÂNDEGA E A DELEGACIA FISCAL

 

Edificada na Esplanada silva Jardim, 83, o prédio da Delegacia da Receita Federal foi construído em 1928 com a finalidade de abrigar a Alfândega de Natal.
A obra arquitetônica do prédio é assinada pelo engenheiro Octávio Tavares e foi fiscalizada por Décio Fonseca.
O edifício foi implantado no alinhamento da rua. Possuindo fachada simetrica, emoldurada por cornijas. Uma pequena escadaria de acesso nos leva ao segundo pavimento, que valoriza e embeleza a arquitetura do lugar, onde encontramos também uma porta ligeiramente arqueada, de grade de ferro desenhada A N ( Alfândega de Natal )
O prédio, um dos mais bonitos da Ribeira, se encontra em bom estado de conservação, não tendo sofrido modificações significativas.

 

Breve Reflexão
 
A experiência das gerações anteriores com a vontade de fazer da nossa será uma mistura de sucesso.

 

Figura Humana

 

A Radialista Nice Fernandes

 

Nice Fernandes começou ainda menina no rádio potiguar, com apenas 16 anos. Seu ingresso nesse veículo de comunicação se deu logo após passar no teste para a Rádio Poti em primeiro lugar. Iniciou no programa "Teatrinho Leite de Colônia", dirigido por Idalmo César. A partir daí a cidade conheceria uma de suas mais talentosas comediante, cujo nome completo é Eunice Fernandes dos Santos, nascida potiguar em 30 de janeiro de 1936.
Depois de uma década na rádio Poti, ela foi trabalhar na rádio Nordeste a convite de Agnaldo Rayol e de lá o jornalista José Wilde lhe convidou para a Rural.
Na rádio Cabugi sua trajetória é marcada principalmente no programa "Patrulha da Cidade", dirigido pelo jornalista Assis de Paula. No programa ela dá um verdadeiro show de rádio teatro, interpretando tipos populares com a "mulher bêbada", "a maconheira" e a "mulher que apanha do marido". O mesmo programa contava ainda com seus amigos Vera Lúcia, tom Borges e Marco Antônio.
Na Cabugi ela também interpreta uma personagem de nome "Dona Candinha", que criticava tudo, de rua suja à políticos. Viveu ainda os papéis de "Branca doida e Maria Fedegosa".
Paralelamente ao rádio, participou de várias peças de teatro ao lado de Eliete Regina, Arlete Costa, joão carvalho, Rildo Gonçalves, Zete e Ledo Wanderley. Foi ainda vice-presidente do Sindicato dos Radialistas do Rio Grande do Norte. Nice Fernandes é mais uma adorável figura humana da Ribeira.
 

Anônimas da Ribeira

 

Ditadura – Ruins eram os tempos em que o leão rugia e a floresta calava. Vivia-se então o Império da Mandíbula.
 

Idade – A idade não pesa, ela acrescenta.
 

Limitação – Não nos esqueçamos que nada limita mais fortemente a liberdade do cidadão do que a total ausência do dinheiro.
 

Adágio – O sol nasce para todos, mas a sombra é de poucos.
 

Intenções – De boas intenções está calçado o caminho do inferno.
 

Assombração – Em terra de feios, o belo assusta.

 

História
 
A CASA DO EMPRESÁRIO POTIGUAR

 

Localizada no prédio imponente da Av. Duque de Caxias, a Associação Comercial do Rio Grande do Norte foi fundada em 2 de outubro de 1892, nos moldes das existentes na Europa, América do Norte e em alguns estados brasileiros.
Inicialmente, a instituição funcionou na Praça Marechal Deodoro. Em 24 de julho de 1927, a sede da entidade foi transferida para a Rua Dr. Barata.
A primeira manifestação política da casa ocorreu no dia 12 de agosto de 1929, em face aos acontecimentos que culminaram com a revolução de 1930. O presidente da entidade José Mesquita, abrindo sessão declarou apoio ao estadista Washington Luiz, que governada o país naquele período. Nesta mesma época há registro em ata das reclamações feitas por comerciantes que tiveram seus estabelecimentos saqueados, durante o levante comunista em Natal.
Outro fato marcante na vida da Associação Comercial do Rio Grande do Norte foi a homenagem feita pela casa ao piloto francês Jean Mermoz, que fez a travessia do Atlântico Sul.
Em 19 de abril de 1944 foi inaugurada a sede onde se encontra atualmente a instituição. Entre seus presidentes estiveram Alfredo Lira, José Lagrega, Mário Freire Marinho, Aldo Fernandes Raposo, Raimundo Nonato Costa, Alcides Araújo, Airton Costa, Ronaldo Gurgel, Carlos Roberto Melo de Andrade, Ronaldo Resende e Antônio Gentil.

 

Intervalo

 

    Você sabia que a República em nosso Estado foi proclamada na Ribeira? Não. Pois é mais adiante vamos falar sobre esse tema.

 

Serviço

 

O GRUPO SOCIL: HÁ MAIS DE MEIO SÉCULO NA RIBEIRA

 

As empresas que formam o grupo Socil tiveram suas origens na pessoa do empresário Paulo Gomes dos Santos. Atleta e remador do Clube Náutico Potengi, Paulo assumiu seus irmãos e mãe logo cedo, depois do falecimento de seu pai com apenas 37 anos, vítima de um enfarto.
Aos doze anos já era visto por estes lados vendendo cocada e tapico, enquanto concluía os estudos na Escola Técnica do Comércio. Depois de trabalhar para a firma M. Martins, ele resolveu fundar seu próprio negócio no dia 22 de maio de 1944, denominado de Grupo Socil.
A empresa representou em Natal inúmeras firmas nacionais e internacionais. Entre elas o Loíde Aéreo, o achocolatado Toddy, a Continental Discos ( especializada em versões de músicas mexicanas ), a pilha Rayovac e a Olivetti do Brasil.
Na década de 60, a empresa patrocinou programas de rádio que apresentavam cantores e cantores da terra, entre eles a grande Glorinha Oliveira.
Paulo nos deixou em 1973, também vítima de um enfarto como o pai, deixando seus filhos Maurício, Márcio, Paulo e Marcos como sucessores do negócio.
O grupo hoje é composto por escritórios de representações, corretoras de imóveis e empresas especializadas em copiadoras como a Método e a Copytek.
O endereço da sede do grupo é na Av. Duque de Caxias, 202 – Ribeira.
Telefones 221 6046/222 0233.
 

Reflexão Ribeirinha

 
Devemos tratar a Ribeira com o mesmo carinho e a mesma veneração com que as palmeiras tratam as caravanas dos viajantes no Oriente.

 

Personalidade

 

Deífilo Gurgel

 

 
Um dos amantes do bairro da Ribeira é o escritor e folclorista Deífilo Gurgel. Nascido em Areia Branca/RN, Deífilo imortalizou a Ribeira no seu poema "Ribeira Velha de Guerra".
 
 
Aliás, Deífilo não só poeta é, como também é professor, pesquisador do folclore brasileiro, escritor, marido, pai e avô. A seguir fragmentos sobre o soneto "Ribeira Velha de Guerra", de sua autoria.
 
"Taboleiro da Baiana
Fumaça serve cartolas
banana, queijo e canela -
para a fome dos bacanas.
 
Raimundo Cego apregoa,
A sorte da loteria:
"- Leve a do burro seu Zé!"
Grita Raimundo, que é cego
Mas, no escuro da cegueira,
é o grande rei da ironia.
 
Ribeira Velha de Guerra
Nas tuas noites de paz,
Passeiam velhas figuras
Que os anos não trazem mais
O poeta Itajubá
Mestre Cascudo
Perrepistas, liberais...
 
 

Coisas de Deífilo Gurgel. Maravilha!

 

Intervalo

 "Os criminosos e estadistas não matam: executam".

 

Cultura do Traço

 

O Cartunista Erasmo Xavier

 

Do mesmo nível de Ziraldo e Jaguar, o cartunista potiguar Erasmo Xavier nasceu no dia 31 de outubro de 1904. Sua obra foi marcada profundamente pelo movimento modernista brasileiro, depois de 1922.
Logo cedo parte para o Rio de Janeiro, onde chega a atuar na Cia. De Teatro de Revista e Feéries Tan-Tan. É visto viajando com grupo por várias cidades brasileiras, entre elas Vitória, no Espírito Santo. Existe uma fotografia que apresenta sua imagem.
Em 1928 adoece vítima de tuberculose e retorna ao Estado, onde vai se tratar na cidade de Lajes, precisamente na residência de Lauro Pinto.
O ponto mais marcante da presença de Erasmo Xavier em Natal foi sua participação na revista "Cigarra", lançada também 1928. A publicação durou cinco edições e todas suas capas foram ilustradas pelo cartunista.
Alto, moreno, olhos negros e comunicativo, Erasmo vestia-se elegantemente de paletó e chapéu palheta. Nunca bebeu, só tomava leite e adorava um bom bife de caçarola. Mesmo assim morreu novo em 23 de abril de 1930, com 25 anos de idade. Sobre ele existe o livro da jornalista e escritora Rejane Cardoso, de nome "Erasmo Xavier, o Elógio do Delírio", publicado em 1989 pela Editora Clima.

 

Curiosidade

 

A REVISTA CIGARRA

 

Lançada em novembro de 1928, a revista "Cigarra" revolucionou a cultura potiguar no seu sentido de enfatizar o movimento modernismo brasileiro, que ora batia a porta do Rio Grande do Norte. Iniciado primeiramente no ano de 1992 no sul do país.
A publicação tinha como diretor o jornalista Adherbal de França e seu secretário era edgar Barbosa.
A redação da revista funcionava na Avenida Tavares de Lira, 57 – Ribeira e era ilustrada nos moldes das revistas carioca de circulação nacional como "Malho" e "Fon-Fon". Suas capas eram famosas e produzidas sobre o traço do cartunista Erasmo Xavier.
Anos depois estas obras que apresentavam a revista "Cigarra" foram reproduzidas na revista "Eu e Você", dirigida para as letras e artes em geral.

 

 

Patrimônio

 

ANTIGO GRANDE HOTEL

 

Um dos endereços mais nobre de Natal no período da Segunda Guerra Mundial era o Grande Hotel, na Ribeira. Localizado entre as avenidas Tavares de Lira e Duque de Caxias.
Eram noites festivas e animadas pela orquestra do maestro Paulo Lyra que recepcionou nomes como Tyronne Power, Carlos Galhardo, orlando Silva, Nelson Gonçalves e Vicente Celestino.
Não existia na cidade um hotel que reunisse em suas instalações conforto, higiene e serviços, antes somente vistos nos grandes hotéis do sul do país. Ele foi inaugurado em 13 de maio de 1939, durante a gestão do governador Rafael fernandes. Na época o engenheiro e também prefeito Gentil Ferreira de Souza modificou o projeto original e Saturnino de Brito executou todas as obras de água e esgotos.
No mesmo ano de 19339, ele foi arrendado por Theodorico Bezerra que passa a residir ali mesmo com sua família.
Foram ainda seus hóspedes mais ilustres, o almirante Ary parreira, o presidente Juscelino Kubistchek e Madame Chang Kai-Chek ( primeira dama chinesa ).
Seus serviços foram desativados em 1987, devido ao grande crescimento da cidade que acabou levando os hotéis de grande porte para a Via Costeira, inviabilizando seu destino original de receber visitantes na cidade.
O prédio é tombado desde 6 de dezembro de 1991 e abriga atualmente o tribunal do Júri.
 
Anônimas de Ribeira
 
Desejo – O desejo é uma pergunta cuja a resposta não existe.
Poeta – Não é a cultura que faz o poeta, mas a força de suas palavras.
Blasfêmia – A Blasfêmia é uma oração ao contrário.
Poesia – A poesia está no encontro do leitor com o livro.
Adágio – Quem não tem carro, anda a pé.
Popular – O popular nada mais é do que um Zé andando por uma rua qualquer.

 

 

 

Lugar

A Rua e o Dr. Barata

 

A Rua Dr. Barata, já foi o centro da cidade do Natal em anos não tão distantes. Ela guarda no seu nome a figura do jornalista e farmacêutico baiano Cipriano José Barata de Almeida, nascido em 26 de setembro de 1762.
Aqui ele montou uma farmácia de urgências para receitar e aplicar medicamentos. O ramo não lhe trouxe riquezas. Ele então resolveu comprar terras, onde o tratamento dispensado junto aos seus escravos chamou a atenção da igreja, que acaba delatando ele a Dr. Maria I sob a acusação de fazer arrasadora pregações anticlericais.
Anos mais tarde elegeu-se deputado e lançou o manifesto combatendo a "Conciliação Nacional". Logo em seguida sai a primeira publicação sua denomina a "Sentinela de Liberdade Na Guarita de Pernambuco. Alerta!" A edição foi pioneira na propaganda republicana no país.

Após anos e anos de lutas, perseguições e prisões, Dr. Barata morre em 11 de junho de 1838, logo após gritar: "- Viva à Pátria!". Mais tarde o país conheceria a República, defendida por ele anos antes.